Análise regional da movimentação de contêineres no Brasil aponta mudança no eixo logístico

O sistema portuário brasileiro registrou um novo recorde em 2025, com a movimentação de 15,2 milhões de TEU, consolidando um crescimento consistente nos últimos anos. Desde 2019, o setor apresentou uma taxa média anual de expansão (CAGR) de 6,4%.

Apesar do resultado positivo, a evolução não ocorreu de forma homogênea entre as regiões. O que se observa é um movimento claro de descentralização logística no país: enquanto o Sudeste perde participação relativa, regiões como Norte, Nordeste e Sul ganham espaço e protagonismo.

 

Panorama da movimentação de contêineres por região em 2025.

 

Crescimento regional revela mudança de dinâmica

 

 

Comparativo regional de movimentação e crescimento (2019–2025).

 

A análise dos dados entre 2019 e 2025 evidencia uma inversão na hierarquia tradicional de crescimento. Regiões com menor volume histórico passaram a registrar taxas mais elevadas de expansão, indicando o fortalecimento de novas fronteiras logísticas e sinais de saturação nos grandes complexos tradicionais.

 

 

 

Esse movimento fica ainda mais evidente na variação de participação de mercado entre as regiões.

 

 

O Norte lidera esse movimento, com crescimento médio anual de 7,4%, seguido pelo Nordeste (6,4%) e pelo Sul (5,5%), que também cresce acima da média nacional. Já o Sudeste apresenta o menor ritmo de expansão (3,9% ao ano), sendo a única região a perder participação de mercado no período analisado.

 

Sudeste ainda lidera, mas perde participação

Mesmo mantendo a liderança nacional, com 6,7 milhões de TEU movimentados em 2025, o Sudeste vem apresentando sinais de perda de protagonismo. Sua participação caiu de 47,2% em 2019 para 44,3% em 2025.

Além disso, a região registrou queda absoluta de movimentação entre 2024 e 2025, enquanto todas as demais regiões cresceram.

Grande parte dessa dinâmica está concentrada no Complexo de Santos, responsável por cerca de 77% da movimentação regional. Apesar do bom desempenho de terminais privados, limitações de capacidade têm impactado o crescimento do porto.

Como contraponto, o Rio de Janeiro surge como destaque positivo, com crescimento expressivo no período e papel relevante na absorção de cargas que deixaram o eixo santista.

 

 

 

 

Sul se consolida como alternativa competitiva

A região Sul reforça sua posição como principal alternativa ao Sudeste, com 5,4 milhões de TEU movimentados em 2025 e aumento de participação no mercado nacional.

O diferencial da região está na competitividade entre seus portos, com um sistema mais distribuído e eficiente. Paranaguá, Itapoá, Navegantes e Rio Grande apresentam desempenhos equilibrados, com destaque para Itapoá, que registrou um dos maiores crescimentos do país.

Esse cenário evidencia a capacidade do Sul de atrair cargas e rotas que anteriormente estavam concentradas no Sudeste.

 

Norte e Nordeste impulsionam expansão

As regiões Norte e Nordeste se destacam como os principais vetores de crescimento relativo no Brasil, impulsionadas pelo desenvolvimento econômico regional, pelo agronegócio e pela cabotagem.

No Nordeste, Suape e Pecém lideram a movimentação, com forte expansão e infraestrutura moderna, enquanto Salvador mantém relevância estratégica.

Já no Norte, o crescimento é ainda mais expressivo, com destaque para o Porto Chibatão e os Super Terminais, que apresentam alta eficiência operacional e forte expansão no período analisado.

 

Um sistema cada vez mais distribuído

[INSERIR IMAGEM – Crescimento Acumulado por Região] Legenda sugerida: Crescimento acumulado da movimentação de contêineres por região (base 2019).

Os dados confirmam uma transformação estrutural na logística portuária brasileira. A concentração histórica no Sudeste, especialmente em Santos, vem dando lugar a um sistema mais distribuído, resiliente e competitivo.

O Sul se consolida como uma alternativa de alto desempenho, enquanto Norte e Nordeste deixam de ser mercados periféricos para assumir papel central no crescimento do setor.

Para operadores, investidores e embarcadores, o cenário aponta para um futuro multipolar, onde a diversificação de rotas e a busca por alternativas logísticas fora do eixo tradicional serão cada vez mais estratégicas.

 

Nota metodológica

Análise baseada em dados oficiais da ANTAQ e bases de movimentação portuária, considerando o período de janeiro de 2019 a dezembro de 2025.

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